A Educomunicação na Escola de Tempo Integral

A educomunicação nas escolas de tempo integral comunga o aprendizado aos saberes

A escola de tempo integral pode atingir o que desejamos: o aprendizado por meio dos saberes. E muito mais, os alunos como produtores verbais e não verbais no desenvolvimento de competências e habilidades linguísticas. Já pensou que tudo isso pode tornar o ensino mais agradável e evitar a evasão escolar?

A educomunicação é a abertura para a aprendizagem unindo o que os alunos mais gostam e possuem em suas mãos: a tecnologia. Mudar o posicionamento do professor e ir ao encontro do interesse deles está em Paulo Freire: “A educação é comunicação, é diálogo, na medida em que não é transferência do saber, mas um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação do significado”.

O professor não é mais o detentor do conhecimento, com a função de transmitir o que sabe. É por esse motivo, que a educomunicação fortalece a relação aluno-professor, pela diversidade cultural e as informações adquiridas. Portanto, existirá a troca de vivências e aproximará os dois por meio de intercâmbio nas ações, desenvolvendo o letramento digital e a formação de leitores em variadas linguagens.

Se mergulharmos na vida cotidiana das escolas, podemos constatar variadas facetas sociais que nos permitem identificar a violência escolar. Os alunos justificam suas atitudes diante das aulas apresentadas e é comum eles afirmarem que tudo o que é feito na escola está longe das suas aspirações. Em pleno século XXI, não é possível ver a escola sem ser um espaço social de troca de experiências, deixando de prevalecer o isolamento. Deve-se permitir o crescimento das potencialidades de cada um; para isso ocorrerão divergências e conflitos, conduzidos pelo professor, que os leve a refletir, criticar, analisar, comentar, debater, criar, atuar e comunicar.

É na escola de tempo integral que podemos reafirmar os quatro pilares da aprendizagem: conhecer, ser, fazer e conviver. O papel do professor está em entrelaçar a educação como transmissão de valores e a comunicação para difusão das informações. E então, vale refletir: nos cursos de licenciatura ou graduação, há alguma disciplina voltada para o estudo da educação e comunicação? Mesmo que não haja, os jovens empregam essa prática diariamente, exercendo a cidadania.

Para o aumento de horas na escola não ser mais um ponto para a evasão escolar, depende da atuação dos educomunicadores. Identificá-los na comunidade escolar é tarefa simples, pois muitos professores já desenvolvem alguns princípios da educomunicação sem ter uma noção definida. O surgimento do novo profissional não requer um diploma específico, apesar de já existir a Licenciatura em Educomunicação. O que ele deverá fazer sempre é pesquisar e acompanhar a evolução das futuras gerações.

No atual universo, carregado de conflitos e rivalidades, a cultura de paz perde para o individualismo. São ações mobilizadoras como essas que podem resultar mudanças comportamentais em nossa sociedade, a verdadeira chave para abertura de novos caminhos.

Ainda que não seja possível, o ideal seria que todos os membros da sociedade educativa, por intermédio da educomunicação, enxergassem uma nova perspectiva da educação para a vida, com a valorização dos sujeitos e a construção da democracia. Para alguns isso é um devaneio, considerando o caráter conflitante da sociedade em que vivemos.

O multiculturalismo está ligado à educomunicação, significa não aceitar somente as diferenças raciais, mas o respeito à heterogeneidade, de acordo com os PCNs. Nunca se leu tanto e escreveu como nos dias atuais, a multiplicidade de escritas e linguagens não pode ser impedimento para a comunicação e a educação caminharem juntas, ensinando as pessoas a lerem o mundo de maneira cidadã.

A exposição dos ideais e opiniões expostas nas redes sociais promovem o pensar e refletir, uma forma de expressão que pode ser explorada em uma roda de conversa dentro das escolas, sendo o ponto de partida para a implantação do projeto.

Outro fator que merece destaque é o planejamento das ações a serem desenvolvidas. A não realização das etapas causa desmotivação e desinteresse e, acima de tudo, desintegra, destruindo a coesão. O fracasso de qualquer projeto é o gerenciamento. É mais difícil a recuperação da credibilidade dos participantes do que a idealização de um trabalho menor, é fundamental que seja possível acontecer. Portanto, conhecer os limitadores é essencial para a efetividade. Uma alternativa é contar com outros professores, propondo a articulação da comunicação com as outras áreas do saber, promovendo a interdisciplinaridade e a não divisão de conteúdos em disciplinas.

Um espaço reservado para as informações e encontros na escola é muito importante. Expor em um quadro as etapas desenvolvidas e as que estão por vir, as reuniões e análise do projeto, a organização e a relação dos membros com modos novos de ver e fazer, focados no bem comum. Explorar as várias linguagens, da escrita à digital, passando pela audiovisual, democratização da comunicação, tudo deve ser centralizado, caracterizando a área como ecossistema educomunicativo.

A interseção dos dois campos, integrada à aprendizagem com o objetivo de ir além dos conteúdos de ensino, torna-se instrumental. Em decorrência, pretende-se transformar o universo escolar em um ambientede integração e os docentes farão um trabalho mais coerente com os sinais dos tempos. Todos serão produtivos pela capacidade de aprender continuamente e de atuar. É um sonho possível!

Marcia Claro Formada em Letras e Pedagogia, pósgraduada com MBA em Gestão Escolar e Especialização em Ética, Valores e Cidadania na Escola, pela USP. Titular do Conselho Municipal de Educação do Guarujá. Palestrante, desenvolve temas com ênfase no combate da violência nas escolas e na área de gestão educacional. Pesquisadora sobre Educomunicação.

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